Origem das manchas está longe de ser esclarecida, diz coordenador-geral do Cenima, do Ibama: ‘Perdemos o timing’, diz Pedro Bignelli.

 

Imagem mostra manchas de óleo retiradas da praia de Barra do Jacuípe, na Bahia — Foto: Lucas Landau/Reuters

A poucos dias de completar três meses do surgimento das primeiras manchas de óleo no litoral do país, o número de localidades atingidas já soma mais de 800 pontos em todos os nove estados do Nordeste, além do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Os dados são do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e foram divulgados nesta quinta-feira (28).

Para Pedro Bignelli, coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima), ligado ao Ibama, a origem deste que já é considerado o maior desastre ambiental do litoral brasileiro ainda está longe de ser esclarecida.

Segundo ele, isso ocorre porque o governo priorizou o combate às manchas nas praias “priorizando a questão humana, econômica e os banhistas”.

Aumento de casos em novembro

As primeiras manchas de óleo surgiram no dia 30 de agosto, em praias da Paraíba. Segundo o Ibama, foram feitos quatro registros nas praias Bela, Gramame, Jacumã e Tambaba nesta data.

De lá para cá, os números só crescem. Em setembro foram 118 registros e, em outubro, 172. Em novembro, os registros aumentaram quase três vezes em comparação ao mês anterior e já somam 478 pontos, computados até o dia 25 (veja os números abaixo).

Registros das manchas de óleo, mês a mês:

  • agosto – 4 localidades
  • setembro – 118 localidades
  • outubro – 172 localidades
  • novembro – 478 localidades*

* dados referentes aos registros computados até o dia 25 de novembro

Mudança de metodologia

Segundo Bignelli, o aumento dos casos em novembro se deve à mudança de metodologia do Ibama para registrar os pontos com as manchas de óleo nas praias.

Antes, fazia-se o registro conforme apareciam os relatos. Agora, cada localidade registrada é referente a 1 km de praia. Isso significa que, se uma faixa de areia de 10 km tiver registro de óleo em toda a sua extensão, serão registrados 10 localidades com sinal de poluição.

“Tivemos que escalonar o mapeamento para organizar o combate [às manchas]”, afirmou. Desta forma, o grupo que atua nas praias poderá saber quantos homens são necessários enviar a cada ponto para limpar a areia.

Análise de imagens de satélite

Desde que o desastre começou a ganhar grandes proporções, diversos pesquisadores têm apontado possíveis origens das manchas de óleo. Todas foram contestadas pela Marinha.

A hipótese mais provável, afirma Bignelli, é que um vazamento tenha ocorrido ou de um navio ou em uma transferência de carga entre dois navios na corrente Sul-Equatorial, a aproximadamente 600 a 700 km da costa. Entretanto, a embarcação ou as embarcações nunca foram identificadas. Uma operação da Polícia Federal chegou a apontar o navio grego Bouboulina como responsável pelo crime ambiental. Houve buscas e apreensões de documentos e equipamentos no escritório da representante da empresa no Brasil que, depois, negou envolvimento no desastre.

Bignelli diz que já foram analisadas mias de 5 mil imagens de satélites, mas nenhuma é definitiva para encontrar a origem das manchas.

Ele explica que os satélites costumam mapear uma área a até 200 km da costa, e o vazamento ocorreu em uma área cerca de 700 km da costa. Somente 40 dias após o início do surgimento das manchas é que o governo brasileiro conseguiu ampliar a cobertura de análise junto à Agência Espacial Europeia. Ainda assim, nada foi encontrado ou divulgado ao público.

“O satélite é ligado e desligado, não funciona full time [o tempo todo]. Em alto mar, quando não existe perspectiva de nenhum evento, as órbitas de alto-mar são desligadas”, afirma.

Fonte: G1